2.2. Normas culturais e perspetivas de cada pessoa. Leituras

Identidade cultural e visões do mundo

A identidade cultural evolui através da comunicação diária, das interações e do cumprimento de papéis sociais. Segundo Chen e Lin (2016) e Altugan (2015), a identidade cultural é um constructo multifacetado e dinâmico que abrange as crenças, os valores, as tradições e as práticas partilhadas de um grupo. Constitui um elemento fundamental da identidade pessoal e da pertença social. Influenciada por fatores como a etnia, a nacionalidade, a língua, a religião e o contexto socioeconómico, a identidade cultural molda significativamente a forma como os indivíduos se veem a si próprios e aos seus papéis na sociedade. As perspetivas de estudantes sobre o sucesso académico, o feedback e a aquisição de conhecimentos e competências são moldadas por modelos culturais de aprendizagem e de autoridade. 

Por exemplo

Por exemplo, estudantes de cultura confucionista podem associar o sucesso académico à diligência, à memorização e ao ensino guiado por docentes, enquanto estudantes de culturas ocidentais podem valorizar a originalidade, a crítica e a autoexpressão (Hofstede, 2011). 

Nalgumas culturas, espera-se que o feedback seja indireto para preservar a harmonia; noutras, o feedback direto e crítico é considerado essencial para o crescimento (Gálvez-López, 2023). A Teoria da Identidade Social e a Teoria do Capital Cultural oferecem perspetivas valiosas sobre como a identidade cultural influencia as experiências educativas de estudantes. A Teoria da Identidade Social explica que o alinhamento de estudantes com os seus grupos culturais afeta o seu sentido de pertença e a sua motivação na escola, fatores-chave para o sucesso académico (Tajfel & Turner, 1986). Isto realça a necessidade de salas de aula inclusivas que afirmem identidades diversas. 

A Teoria do Capital Cultural, introduzida por Bourdieu (1986), revela como as diferenças nos recursos culturais de estudantes, como a língua, as normas ou as ligações sociais, podem criar desigualdades sistémicas. Reconhecer e valorizar estas diversas formas de capital permite a docentes conceber ambientes de aprendizagem mais equitativos. Estas teorias realçam a importância do ensino culturalmente responsivo e da reflexão institucional, para garantir que todos/as os/as estudantes são apoiados/as e capacitados/as.