2.4. Sinais contextuais para identificar diferenças culturais. Leituras

Considerar a interseccionalidade ao interpretar o comportamento de estudantes

Ao interpretar o comportamento de estudantes, é importante que quem educa olhe para além da cultura isoladamente e considere a interseccionalidade – as formas como múltiplos aspetos da identidade (como género, idade, deficiência, neurodiversidade, religião e estatuto socioeconómico) interagem com o contexto cultural. Embora as normas culturais influenciem a comunicação e a participação, nunca operam isoladamente (Crenshaw, 1989; Collins & Bilge, 2020). 

Por exemplo

  • Uma estudante de uma cultura que valoriza a modéstia pode evitar o contacto visual ou o desacordo público, refletindo tanto expetativas culturais como de género, e não desinteresse.

  • Um/a estudante neurodivergente, como alguém no espetro do autismo, pode ter dificuldade em interpretar ou expressar sinais não-verbais por razões não relacionadas com a cultura. 

  • Da mesma forma, um/a estudante mais velho/a e de primeira geração pode hesitar em pedir ajuda devido a pressões socioeconómicas ou a crenças interiorizadas sobre a autossuficiência.

Para criar ambientes de aprendizagem inclusivos, quem educa deve combinar a consciência cultural com o reconhecimento de como identidades diversas e experiências vividas moldam a comunicação e o envolvimento em sala de aula (Gay, 2010; Paris & Alim, 2020).