2.5. Fatores que moldam comportamentos e perspetivas culturais. Leituras
Normas culturais na educação: memorização vs. pensamento crítico
A aprendizagem por memorização, que consiste em memorizar informação através da repetição, está profundamente enraizada em muitas tradições educativas, particularmente em partes da Ásia e do Médio Oriente. (Dreher et al., 2021). A investigação mostra que, embora as técnicas de memorização possam apoiar a recordação factual, conduzem frequentemente a uma compreensão superficial e a uma menor capacidade de resolução independente de problemas em contextos de ensino superior. Por exemplo, num inquérito a estudantes universitários/as paquistaneses/as, a aprendizagem por memorização correlacionou-se com um desempenho mais baixo em tarefas analíticas do que entre pares que usavam estratégias de aprendizagem profunda. (Ahmed & Ahmad, 2017). Estudantes de tradições de memorização participam frequentemente com cautela em seminários, fazendo menos perguntas e aguardando confirmação antes de expressar ideias. Docentes ocidentais podem percecionar estes/as estudantes como desmotivados/as, sem reconhecer as suas preferências culturais de aprendizagem. Em contrapartida, estudantes de contextos de pensamento crítico podem dominar as discussões, ofuscando sem intenção colegas formados/as em modos de aprendizagem coletivos ou estruturados. (Dreher et al., 2021).
Exemplo
Numa aula de engenharia, estudantes habituados/as a memorizar informação tiveram dificuldade em adaptar-se à aprendizagem baseada em problemas. Para os/as ajudar, o/a docente criou "módulos de pensamento crítico" que guiavam estudantes, passo a passo, através de casos reais de problemas mecânicos. Estudantes tinham de encontrar a causa, pensar em possíveis soluções e explicar o seu raciocínio por escrito. Com o tempo, mesmo os/as que preferiam memorizar começaram a pensar de forma mais profunda e a ganhar mais confiança com tarefas abertas.