3.4. Exploração de Diferenças Culturais. Leituras
Compreender as Inteligências Culturais através de um Prisma Decolonial
Os estudos decoloniais questionam os enquadramentos eurocêntricos dominantes e incentivam a repensar a história, o conhecimento e a identidade a partir do ponto de vista do Sul Global. Em vez de depender de análises de um único eixo, esta abordagem integra dimensões interseccionais - como a raça, o género, a classe e a geografia - revelando a complexidade do funcionamento das sociedades. Realça a autonomia, a capacidade de ação e os contributos epistémicos de comunidades historicamente marginalizadas, promovendo o que se tem chamado de reexistência e ressignificação da vida.
Uma perspetiva decolonial questiona a noção de uma verdade universal, promovendo antes o diálogo entre histórias e formas de conhecer locais e diversas. Cultiva a consciência da natureza interligada e interdependente de todos os seres, incentivando quem educa a adotar uma visão mais holística e inclusiva da inteligência cultural nas suas práticas de ensino e investigação. Inspirado nas reflexões de Walter Mignolo e Catherine E. Walsh em On Decoloniality: Concepts, Analytics, Praxis (2018), o conceito de percursos pluriversais e interversais refere-se à criação de múltiplas formas interligadas de pensar e de ser, que questionam a ideia de uma única visão do mundo dominante. Estes percursos visam romper com a noção tradicional de "universal" ou "global", reconhecendo conhecimentos, experiências e perspetivas locais diversas como igualmente válidos e necessários para compreender o mundo.