3.5. Esclarecer mal-entendidos. Leituras

Como surgem os mal-entendidos?

Investigadores/as têm desenvolvido uma grande diversidade de abordagens e teorias sobre como alcançar uma comunicação eficiente e autêntica. Podem estabelecer-se, com base nisso, algumas regras e princípios fundamentais. A primeira regra é que o essencial para uma boa comunicação é a qualidade da relação entre as pessoas envolvidas nessa comunicação. Trata-se de uma questão de capacidade para criar um contexto relacional que facilite a expressão e a recetividade.

Como segunda regra, para que a comunicação seja eficaz e de elevada qualidade, é necessário escutar, observar, analisar, expressar-se e controlar. Escutar significa ter em conta o ponto de vista da outra pessoa, demonstrando interesse verbal ou não-verbalmente; observar e analisar, de forma a compreender a parte explícita e implícita da comunicação, de acordo com as componentes psicológicas e sociais das pessoas envolvidas na comunicação; expressar-se de acordo com a pessoa com quem se fala e a natureza do tema da comunicação; controlar através do feedback dado à mensagem. 

Uma terceira regra é crucial: toda a comunicação ocorre num contexto psicológico, que é sempre também um contexto social e ideológico. O papel e o peso das normas sociais, das representações sociais e dos valores de referência são consideráveis. A comunicação deve ser sempre estudada e compreendida em termos da interação entre três tipos de fatores: psicológicos, cognitivos e sociais.

É sabido que a relutância, ou mesmo o medo, sempre fizeram parte das interações humanas, conduzindo inevitavelmente a interpretações e compreensões erradas. Em qualquer encontro, os mal-entendidos ocorrem frequentemente porque a nossa própria cultura influencia fortemente a forma como percecionamos as intenções de outras pessoas. Ao rejeitar a alteridade, as pessoas procuram proteger-se de uma forma de ameaça relativamente a valores, formas de vida ou identidades que lhes são familiares. A investigação sobre o racismo mostra que houve uma mudança substancial na definição deste conceito. Já não se trata de uma questão de inferioridade biológica, física ou intelectual, mas de uma incompatibilidade entre especificidades culturais, nacionais, religiosas e étnicas. Esta nova definição de racismo insiste no facto de que as diferenças do grupo minoritário podem ser vistas como uma ameaça para o grupo dominante. No contexto educativo, docentes devem aprender a refletir sobre as suas próprias crenças, valores e atitudes, e a evitar uma avaliação etnocêntrica das situações de mal-entendido entre estudantes.