2.1. Compreender as Diferenças Culturais. Exemplos

Caso n.º 1. Descrição da situação
Numa universidade europeia, uma unidade curricular de mestrado é concebida para promover a investigação crítica, o debate aberto e a discussão conduzida por estudantes. Entre estudantes encontra-se um grupo de estudantes de intercâmbio vietnamitas, cujas experiências educativas anteriores davam ênfase ao respeito por docentes e à manutenção da harmonia nas interações de grupo.
Cenário
O Prof. Müller apresenta uma teoria controversa em psicologia educacional, incentivando o debate. Assim que a discussão começa, os/as estudantes alemães/ãs e neerlandeses/as intervêm com perguntas e comentários, enquanto os/as estudantes vietnamitas permanecem em silêncio, observando. Mais tarde, um/a estudante vietnamita partilha, em privado, uma crítica perspicaz, explicando que não sentiu ser apropriado desafiar o professor em público.
Comportamento de estudantes
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Participação verbal limitada em discussões de grande grupo.
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Evitar desafiar abertamente o/a docente ou colegas.
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Preferência por feedback privado (por exemplo, e-mails ou horário de atendimento).
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Elevado respeito pela autoridade e pela competência do professor.
Desafio para docentes
Como criar um ambiente de discussão inclusivo que capacite estudantes de culturas de elevada distância hierárquica a contribuir sem desconforto.
Adaptações sugeridas
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Usar discussões estruturadas em pequenos grupos, onde estudantes se sintam mais confortáveis a falar.
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Oferecer reflexões escritas ou fóruns de discussão online como alternativas ao debate em sala de aula.
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Esclarecer que a crítica respeitosa é bem-vinda e valorizada no processo de estudo.
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Reconhecer explicitamente as normas culturais e normalizar diferentes formas de participação.
Caso n.º 2. Descrição da situação
Numa universidade europeia, uma unidade curricular de mestrado é concebida para promover a investigação crítica, o debate aberto e a discussão conduzida por estudantes. A unidade curricular inclui apresentações em grupo e colaboração entre pares sobre textos teóricos complexos.
Cenário
Estudantes são distribuídos/as por pequenos grupos diversos para analisar e apresentar diferentes teorias educativas. Um dos grupos inclui dois/duas estudantes neerlandeses/as, um/a estudante espanhol/a e um/a estudante vietnamita. Durante as reuniões de planeamento, os/as estudantes neerlandeses/as concentram-se em dividir claramente as tarefas, de forma a que cada pessoa seja responsável por uma secção específica. O/A estudante vietnamita sugere reunir-se com mais frequência para trabalhar em equipa, mas os/as estudantes neerlandeses/as dizem preferir fazer as suas partes sozinhos/as e juntar tudo no final.
Comportamento de estudantes
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Ênfase na responsabilidade pessoal pela sua parte da tarefa.
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Foco na eficiência da tarefa, mais do que na coesão do grupo.
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Menor preocupação com a harmonia ou o consenso do grupo.
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Preferência por dividir o trabalho, em vez de uma colaboração regular em grupo.
Desafio para o/a docente
Como ajudar estudantes que gostam de trabalhar de forma independente a aprender também a colaborar e a incluir outras pessoas, especialmente ao trabalhar com colegas de culturas centradas no trabalho em grupo.
Adaptações sugeridas
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Incentivar contratos de equipa que definam responsabilidades individuais e de grupo.
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Facilitar reuniões estruturadas entre pares, em que todas as vozes sejam incluídas.
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Discutir, logo no início da unidade curricular, as diferentes expetativas culturais em torno do trabalho em grupo.
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Pedir a estudantes que avaliem o trabalho uns dos outros, para incentivar tanto o esforço pessoal como o trabalho em equipa.