Caso n.º 1. Descrição da situação

Numa universidade europeia, uma unidade curricular de mestrado é concebida para promover a investigação crítica, o debate aberto e a discussão conduzida por estudantes. Entre estudantes encontra-se um grupo de estudantes de intercâmbio vietnamitas, cujas experiências educativas anteriores davam ênfase ao respeito por docentes e à manutenção da harmonia nas interações de grupo.

Cenário

O Prof. Müller apresenta uma teoria controversa em psicologia educacional, incentivando o debate. Assim que a discussão começa, os/as estudantes alemães/ãs e neerlandeses/as intervêm com perguntas e comentários, enquanto os/as estudantes vietnamitas permanecem em silêncio, observando. Mais tarde, um/a estudante vietnamita partilha, em privado, uma crítica perspicaz, explicando que não sentiu ser apropriado desafiar o professor em público.

Comportamento de estudantes 
  • Participação verbal limitada em discussões de grande grupo. 

  • Evitar desafiar abertamente o/a docente ou colegas. 

  • Preferência por feedback privado (por exemplo, e-mails ou horário de atendimento). 

  • Elevado respeito pela autoridade e pela competência do professor.

Desafio para docentes  

Como criar um ambiente de discussão inclusivo que capacite estudantes de culturas de elevada distância hierárquica a contribuir sem desconforto. 

Adaptações sugeridas
  • Usar discussões estruturadas em pequenos grupos, onde estudantes se sintam mais confortáveis a falar. 

  • Oferecer reflexões escritas ou fóruns de discussão online como alternativas ao debate em sala de aula. 

  • Esclarecer que a crítica respeitosa é bem-vinda e valorizada no processo de estudo. 

  • Reconhecer explicitamente as normas culturais e normalizar diferentes formas de participação.

Caso n.º 2. Descrição da situação

Numa universidade europeia, uma unidade curricular de mestrado é concebida para promover a investigação crítica, o debate aberto e a discussão conduzida por estudantes. A unidade curricular inclui apresentações em grupo e colaboração entre pares sobre textos teóricos complexos.

Cenário

Estudantes são distribuídos/as por pequenos grupos diversos para analisar e apresentar diferentes teorias educativas. Um dos grupos inclui dois/duas estudantes neerlandeses/as, um/a estudante espanhol/a e um/a estudante vietnamita. Durante as reuniões de planeamento, os/as estudantes neerlandeses/as concentram-se em dividir claramente as tarefas, de forma a que cada pessoa seja responsável por uma secção específica. O/A estudante vietnamita sugere reunir-se com mais frequência para trabalhar em equipa, mas os/as estudantes neerlandeses/as dizem preferir fazer as suas partes sozinhos/as e juntar tudo no final.

Comportamento de estudantes
  • Ênfase na responsabilidade pessoal pela sua parte da tarefa.

  • Foco na eficiência da tarefa, mais do que na coesão do grupo.

  • Menor preocupação com a harmonia ou o consenso do grupo.

  • Preferência por dividir o trabalho, em vez de uma colaboração regular em grupo.

Desafio para o/a docente

Como ajudar estudantes que gostam de trabalhar de forma independente a aprender também a colaborar e a incluir outras pessoas, especialmente ao trabalhar com colegas de culturas centradas no trabalho em grupo.

Adaptações sugeridas
  • Incentivar contratos de equipa que definam responsabilidades individuais e de grupo.

  • Facilitar reuniões estruturadas entre pares, em que todas as vozes sejam incluídas.

  • Discutir, logo no início da unidade curricular, as diferentes expetativas culturais em torno do trabalho em grupo.

  • Pedir a estudantes que avaliem o trabalho uns dos outros, para incentivar tanto o esforço pessoal como o trabalho em equipa.

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