1.2. Autorreflexão sobre Enviesamentos. Leituras
Consciência de potenciais enviesamentos
O enviesamento educativo é algo de que todos os profissionais da educação devem estar conscientes. Refletir sobre ele e considerar formas de o evitar na educação pode reduzir o seu impacto negativo.
Enviesamento refere-se geralmente a uma predisposição ou preconceito relativamente a uma determinada questão, que pode impedir alguém de ser neutro no trato com outras pessoas. Quando as atitudes são enviesadas, sejam implícitas ou explícitas, refletem-se frequentemente na linguagem e na forma como as pessoas interagem entre si.
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O enviesamento implícito refere-se a atitudes ou estereótipos que influenciam inconscientemente as nossas perceções, ações e decisões, sem que disso tenhamos consciência.
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O enviesamento explícito refere-se a atitudes conscientes perante uma pessoa ou grupo de pessoas.
Na educação, o enviesamento pode assumir várias formas, como o enviesamento cognitivo, o enviesamento cultural ou o enviesamento institucional.
Os enviesamentos cognitivos influenciam frequentemente a forma como docentes percecionam estudantes, com base em estereótipos relacionados com raça, etnia, género e estatuto socioeconómico. Por exemplo, docentes podem, sem se aperceberem, ter expetativas mais baixas relativamente a estudantes de contextos marginalizados, o que pode levar a menos apoio e oportunidades. Estes preconceitos podem ter um impacto significativo no desempenho académico e na autoestima.
Por exemplo
Por exemplo, docentes podem presumir que estudantes de determinados contextos ou grupos sociais têm capacidades intelectuais e ambições diferentes. Ou seja, um(a) docente pode presumir que um(a) estudante de determinado contexto se contentará com um nível de sucesso mais baixo. Docentes podem esperar que estudantes que falam com determinados sotaques sejam maus/más escritores/as, ou que estudantes com competências de escrita insuficientes sejam estereotipados/as como tendo pouca capacidade intelectual.
Os enviesamentos culturais surgem das narrativas culturais predominantes na sociedade. Em muitos sistemas educativos, os programas de estudo são concebidos em torno das atitudes e valores da cultura dominante, sem considerar a história e os contributos de outros grupos culturais. Esta negligência pode levar a uma falta de representação e de reconhecimento de estudantes de diferentes culturas, o que promove a exclusão e sentimentos de alienação.
Por exemplo
Por exemplo, pode esperar-se que estudantes de determinados grupos tenham determinados estilos de participação (calados/as, argumentativos/as, focados/as numa agenda), mas alguns grupos já são vistos, à partida, como problemáticos.
Os enviesamentos institucionais estão incorporados nas políticas e práticas dos sistemas educativos. Podem incluir testes estandardizados, medidas disciplinares e alocação de recursos, que podem afetar desproporcionalmente determinados grupos de estudantes. Por exemplo, ferramentas digitais e políticas de recursos podem desfavorecer estudantes de países terceiros, reforçando desigualdades sistémicas. Por exemplo, estudantes associados/as a um determinado grupo de identidade podem ser considerados/as especialistas em competências digitais, enquanto outros/as podem ser considerados/as pouco conhecedores/as.
Para além dos tipos de enviesamento acima referidos, a literatura discute uma grande variedade de outros tipos de enviesamento, tais como:
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enviesamento de género - o favorecimento de um género em detrimento de outro.
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enviesamento de beleza - o tratamento favorável e a estereotipagem positiva de pessoas consideradas mais atraentes.
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enviesamento de perceção - quando alguém trata outras pessoas com base em estereótipos e suposições frequentemente inexatos e demasiado simplistas sobre o grupo a que pertencem.
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enviesamento de afinidade - a tendência para favorecer pessoas que partilham interesses, contextos e experiências semelhantes; entre outros.
Vários tipos de enviesamento podem marginalizar estudantes de diferentes contextos e impedi-los/as de ter sucesso nos estudos. Num mundo cada vez mais interligado, combater o enviesamento é fundamental para criar um ambiente de aprendizagem inclusivo que prepare cada estudante, de forma equitativa, para trabalhar num mundo global e multicultural.