2.2. Normas culturais e perspetivas de cada pessoa. Leituras
Estratégias de resolução de problemas
Estudantes de culturas coletivistas sentem-se frequentemente mais confortáveis a trabalhar em grupo e a tomar decisões em conjunto, em vez de se destacarem com opiniões próprias. Em contraste, estudantes de culturas individualistas adotam frequentemente abordagens mais analíticas e independentes (Smith et al., 2022).
Estratégias para docentes:
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Usar tarefas abertas no início do semestre e observar se estudantes tendem a recorrer à colaboração em grupo ou à resolução individual de problemas.
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Oferecer formatos variados (por exemplo, tarefas individuais vs. em equipa) e monitorizar o envolvimento e o desempenho de estudantes em cada um.
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Realizar diários reflexivos ou pequenos inquéritos, perguntando a estudantes como abordam habitualmente tarefas complexas.
Exemplo
Numa sala de aula mista, uma tarefa de grupo revela que alguns/algumas estudantes esperam pelo consenso antes de propor soluções. O/A docente regista isto e, mais tarde, junta estudantes em dias interculturais para apoiar a aprendizagem entre pares.
Motivação para a aprendizagem. Estudantes de contextos do Leste Asiático ou do Sul da Ásia podem ser motivados/as pelas expetativas familiares e pela validação externa, enquanto estudantes ocidentais podem priorizar interesses pessoais e objetivos intrínsecos (Wang, 2024; Alqarni, 2022; Lo, 2024).
Estratégias para docentes:
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Incluir um diagnóstico motivacional no início da unidade curricular (por exemplo, "O que o/a ajuda a ter sucesso nos seus estudos?").
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Acompanhar a participação e o comportamento de procura de ajuda. Estudantes com forte motivação extrínseca podem hesitar em pedir ajuda para evitar "perder a face".
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Introduzir escolha nos trabalhos (por exemplo, seleção de tópicos) e depois analisar as decisões e o feedback de estudantes em busca de indícios motivacionais.
Exemplo
Um/a estudante de Hong Kong entrega consistentemente trabalhos muito detalhados, mas tende a evitar as discussões em aula. Após um inquérito motivacional, o/a docente descobre que este/a estudante é motivado/a pela honra familiar, o que o/a leva a dar mais feedback privado do que crítica pública.
Resposta à autoridade. Estudantes de culturas com elevada distância hierárquica (por exemplo, Indonésia, Nigéria) podem deferir a docentes e evitar questionar instruções. Estudantes de culturas com baixa distância hierárquica (por exemplo, Alemanha, Países Baixos) podem desafiar ou questionar abertamente (Hofstede, 2011). Estratégias para docentes:
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Durante as sessões de perguntas e respostas, prestar atenção a quem faz perguntas ou expressa opiniões diferentes. Nota-se algum padrão cultural?
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Usar ferramentas de feedback anónimo, como sondagens digitais ou caixas de sugestões, para incentivar o contributo de estudantes mais reticentes.
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Tornar as expetativas da sala de aula explícitas: explicar que questionar ou discordar respeitosamente é bem-vindo.
Exemplo
Num seminário baseado em discussão, estudantes de contextos de elevada distância hierárquica tendem a permanecer em silêncio. O/A docente implementa um mural de comentários online anónimo e observa um maior envolvimento por parte destes/as estudantes, ganhando acesso às suas perspetivas.
Incentivar a Autorreflexão de Estudantes‑sobre Influências Culturais. A autorreflexão é uma ferramenta pedagógica poderosa que ajuda estudantes a tomar consciência de como o seu contexto cultural molda a sua abordagem à aprendizagem. Ao envolverem-se numa reflexão orientada, estudantes podem examinar criticamente as suas crenças, motivações e estilos de aprendizagem preferidos, relacionando-os com a sua herança cultural.
Fundamentação teórica. Wang (2024) constatou que fatores culturais, incluindo padrões de comunicação, expetativas familiares e normas de aprendizagem, influenciam significativamente o envolvimento e os estilos de aprendizagem de estudantes. Além disso, estratégias de aprendizagem culturalmente responsivas e autorreguladas promovem a motivação de estudantes quando estes/as percecionam as tarefas de aprendizagem como pessoal e culturalmente relevantes.