Quais são os benefícios do envolvimento intercultural na educação?

Em 2006, a UNESCO publicou as "Diretrizes sobre Educação Intercultural". Estas diretrizes devem ser vistas como um recurso prático valioso para docentes, para quem aprende, para quem desenvolve currículos, para decisores políticos e para membros da comunidade, e para todas as pessoas que pretendam promover a Educação Intercultural em prol da paz e da compreensão. A publicação assenta essencialmente em três princípios:

Princípio I: a Educação Intercultural respeita a identidade cultural de quem aprende, através da oferta de um ensino de qualidade, culturalmente adequado e responsivo, para todos/as.

Princípio II: a Educação Intercultural fornece a cada pessoa que aprende os conhecimentos, atitudes e competências culturais necessários para alcançar uma participação ativa e plena na sociedade.

Princípio III: a Educação Intercultural fornece a todas as pessoas que aprendem conhecimentos, atitudes e competências culturais que lhes permitem contribuir para o respeito, a compreensão e a solidariedade entre indivíduos, grupos étnicos, sociais, culturais e religiosos, e entre nações.

No ensino superior, a investigação tem mostrado que os encontros interculturais não aumentam automaticamente a competência intercultural. A diversidade cultural entre estudantes não conduz necessariamente a contacto intercultural nem a experiências de aprendizagem intercultural de estudantes. Docentes têm a responsabilidade de incentivar estudantes a refletir sobre experiências sociais individuais e coletivas com pessoas de outras culturas. Por outras palavras: hoje em dia, a comunidade docente precisa de ser capazes de introduzir os princípios da pedagogia intercultural no processo de ensino e aprendizagem, o que, por sua vez, implica que tenha desenvolvido a sua própria competência intercultural e global.

Além disso, as instituições de ensino superior estão cada vez mais conscientes de que se espera que a comunidade estudantil - não apenas quem estuda no seu próprio país num ambiente multicultural, mas também quem participa em programas de mobilidade ou estuda no estrangeiro - adquira competência intercultural. Desenvolver possibilidades de aprendizagem intercultural benéficas para todos/as os/as estudantes deve ser a primeira questão a considerar. Isto é importante porque qualquer diplomado/a precisará de estar preparado/a para atuar numa sociedade global como profissionais e membros de uma cidadania global, quer opte por trabalhar no seu país, quer no estrangeiro. A ideia central é globalizar o currículo convencional e os objetivos de aprendizagem. A internacionalização do currículo oferece um enquadramento que ajuda todos/as os/as estudantes - tanto quem têm mobilidade como quem não têm - a transformar a sua exposição a uma educação internacional em competência intercultural.

De facto, a investigação atual confirma que estereótipos e preconceitos podem ser reforçados se a experiência de incidentes críticos em contextos interculturais não for avaliada eficazmente, a nível cognitivo, afetivo e comportamental. Esta reflexão pode conduzir à competência intercultural, "uma mudança duradoura nos conhecimentos, atitudes e competências de uma pessoa, que permite uma interação positiva e eficaz com membros de outras culturas" (Otten, 2003, p.15).

A formação intercultural procura ampliar o conhecimento das pessoas sobre a sua própria cultura e as culturas de outras pessoas, influenciar as suas atitudes perante culturas estrangeiras, e desenvolver as suas competências para interagir eficazmente com pessoas de diferentes contextos culturais, bem como estratégias que apoiem o desenvolvimento de uma mentalidade crítica para atribuir significado a essas experiências.